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IX Congresso Virtual HIV/AIDS
A INFECÇÃO VIH E O DIREITO  
Sidanet
Para participar, queira seguir os passos indicados nas instruções que estão na página de REGISTO
To participate, please follow the steps refered in the instructions on the REGISTRATION page
1 - Registo (Registration)
2 - Resumos (Abstracts)
3 - Comunicações (Comunications)
Em primeiro lugar pretendia desejar as boas vindas a todos aqueles que irão participar em mais um congresso virtual e pretendia agradecer à organização AIDS/Portugal o honroso convite que constitui a co-presidência desde congresso.

Após mais de vinte e cinco anos de infecção VIH/SIDA penso que é tempo de fazer uma reflexão e uma revisão dos aspectos do direito e da ética associados a esta pandemia.  É importante conhecer a legislação que foi sendo publicada ao longo do tempo, as questões éticas que surgiram e também as áreas de vazio legislativo que ainda subsistem.

Nem sempre a evolução da medicina e do direito caminharam de mãos dadas. A medicina tem conhecido avanços importantes, especialmente ao longo da segunda metade do século XX.  A infecção VIH constituiu um desafio sem precedentes para a humanidade dado a sua disseminação poder efectuar-se através das mesmas vias utilizadas para a perpetuação da espécie.

Tal como outras pandemias do passado também esta tem estado associada à destruição da organização social e económica, à geração de pobreza e de infelicidade mas também tem permitido uma reflexão sobre a natureza profunda e o entendimento do que é a própria humanidade, afinal um pouco do que somos todos nós e cada um em particular.

Nunca terá existido uma resposta tão rápida da medicina e da tecnologia, com aplicação quase em tempo real dos conhecimentos que foram surgindo neste âmbito, essencialmente visíveis e com impacto nos últimos dez anos.
Saliento os aspectos da clínica e da terapêutica mas em especial os avanços extraordinários do diagnóstico e da monitorização e caracterização ao nível molecular tanto da infecção como do hospedeiro que permitirão, num futuro próximo, um tratamento personalizado de acordo com as diferenças de cada indivíduo.

Como é do senso comum a evolução não correspondeu sempre a uma linha recta ou ao caminho mais curto para um determinado objectivo, sendo importante a cada momento a definição de regras e a reflexão necessária que nos permita caminhar de forma segura para a próxima etapa.
Isto, é o que pretendemos que seja este congresso - um espaço de reflexão, de revisão e de interacção entre a medicina e o direito.

A todos, os meus agradecimentos.

Vítor Manuel Jorge Duque
Doutorado em Medicina Interna/Infecciosas.
Assistente Graduado de Infecciologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra.
Coordenador da Unidade funcional Laboratório de Virologia.
Presidente da Sociedade Portuguesa de Virologia.
Membro da Direcção da Associação Portuguesa para o Estudo Clínico da SIDA (APECS).

 

A pax antibiótica gerou a ilusão de que a humanidade deteria o domínio total sobre a doença. Pelo menos haveria o mito de que não haveria doenças incuráveis.

A infecção VIH/SIDA veio colocar em cheque essa visão das coisas. De repente, irrompe em todos os continentes e em todas as classes sociais, tocando de forma marcante muitas figuras públicas da arte e do desporto, uma doença estranha: uma patologia sem cura e sem vacina. Uma doença que associa Eros e Tanatos, os deuses do amor e da morte, o que veio aumentar uma aura de mistério, espanto e medo perante essa infecção.

Medo da doença e do seu portador. Receio da notícia e do seu mensageiro. Daí ao estigma, à discriminação e à violação dos direitos humanos foi um passo. Um passo muito simples, muito rápido e deveras trágico!

Hoje a discriminação mata mais que a própria SIDA. A violação do direito ao sigilo médico causa mais danos que a própria doença. O desrespeito pelo consentimento informado afasta os pacientes dos serviços de saúde.

É pois fundamental reflectir sobre os aspectos éticos, jurídicos e sociais que condicionam a própria luta contra o VIH. Por isso, este Congresso pretende ser um espaço alargado de discussão e reflexão, onde chamaremos juristas, bioeticistas, especialistas das ciências sociais e da ética médica, bem como médicos e cientistas, para nos oferecerem o seu contributo nesta faceta da luta contra a infecção VIH/SIDA.

Sejam bem-vindos e Bom Congresso!

André Gonçalo Dias Pereira
Assistente da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra
Curador da Fundação "A Comunidade Portuguesa Contra a SIDA"
Secretário científico do Centro de Direito Biomédico da Universidade de Coimbra

 




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