Nota Introdutória dos Presidentes do XI Congresso Virtual "O VIH/SIDA e a Tuberculose"
Professor Doutor Thomas Hänscheid (Microbiology)
Instituto de Microbiologia,Faculdade de Medicina de Lisboa - Hospital Santa Maria
Professora Doutora Emilia Valadas MD, MSc, PhD
Clínica Universitária de Doenças Infecciosas e Parasitárias Faculdade de Medicina de Lisboa - Hospital de Santa Maria
O tema do XI Congresso Virtual, em 2010, é a infecção por VIH e a Tuberculose. Esta co-infecção, de elevada importância, foi já apelidada de “dueto mortal”.
A tuberculose constitui uma ameaça para pessoas infectadas por VIH, quer antes quer depois do início da terapêutica antirretroviral eficaz. Nestes casos, a tuberculose é mais difícil de diagnosticar. Em casos de resistência de Mycobacterium tuberculosis aos antibacilares, especialmente, em casos de resistência múltipla ou extensiva, a TB é, rapidamente, letal.
Esta situação preocupante é uma realidade vivida em muitos países Africanos. No entanto, casos de co-infecção, dificuldades no diagnóstico e resistência aos antibacilares são, também, comuns em Portugal.
Para inverter esta situação, as prioridades em investigação, inovação e aplicação destes conhecimentos na clínica, concentram-se em várias áreas:
- Novos e melhores métodos para o diagnóstico da tuberculose. Idealmente, deverão tratar-se de testes “point-of-care”. Novos métodos, rápidos, fáceis e acessíveis, para determinar a sensibilidade/resistência das estirpes de M. tuberculosis. Deverá, ainda, tentar-se encontrar novos marcadores (“biomarkers”) que permitam determinar se uma pessoa está infectada por M. tuberculosis ou se tem tuberculose.
- Tratamento da tuberculose. Este é um aspecto muito importante, considerando as várias interacções entre tratamento antirretroviral e antibacilares. Outro aspecto, a considerar, são os novos fármacos, necessários para melhores esquemas terapêuticos ou, como resposta ao crescente número de resistências.
- Optimização e integração de programas que visam, simultâneamente, TB e VIH. Há uma crescente consciência que a separação tradicional da TB e da infecção por VIH tem que ser ultrapassada, não só na área da investigação mas, também, em programas e instituições que tratam doentes com esta co-infecção.
Este Congresso deverá ser uma oportunidade para todos os interessados nesta área, permitindo partilhar resultados, informações e opiniões, no sentido de melhor enfrentar e combater estes duas infecções.
Assim, queria convidar todos os que trabalham nesta área a contribuir com os seus resultados para o sucesso deste Congresso.