1.1
O VIH/SIDA na África Sub-Sahariana
De
acordo com os dados da UNAIDS publicados no Relatório sobre a
Epidemia Global de SIDA 2006, referem que um número estimado
de 38,6 milhões de pessoas em todo o mundo vive com VIH em
2005. Cerca de 4,1 milhões foram novas infecções
e 2,8 milhões morreram devido ao SIDA.
A
África Sub-Sahariana continua a ser a região do mundo
mais afectada pela epidemia. Em 2005 havia cerca de 24,5 milhões
de pessoas vivendo com VIH, globalmente 64% de todas as pessoas no
mundo vivendo com VIH encontram-se nesta região. Do total de
adultos infectados, cerca de 59% são mulheres.
As
crianças são especialmente afectadas pela epidemia,
cerca de 2 milhões de crianças com menos de 15 anos
estão infectadas e cerca de 12 milhões de crianças
com menos de 17 anos perderam pelo menos um dos pais para o SIDA.
Em
2005, de todas as regiões da África, a África
Austral é a mais afectada com os mais elevados níveis
de prevalência. Nos países de taxas de prevalência
mais elevadas incluem-se: o Botswana, com 24,1% da população
infectada com VIH, a Namíbia, com 19,6% e a Suazilândia,
com 33,4%.
No
que se refere aos PALOP´s, Moçambique é um dos
mais afectados. Em 2005, o nível de prevalência em
adultos é estimada em 16,1% e cerca de 1,8 milhões de
pessoas vivem com VIH. A epidemia está a crescer rapidamente
nas províncias fronteiriças com o Malawi, África
do Sul e Zimbabwe.
1.2
A epidemia em Moçambique: o caso dos órfãos e
crianças vulneráveis
De
acordo os dados reunidos no Relatório sobre a Revisão
dos Dados de Vigilância Epidemiológica do VIH - Ronda
2004, a província de Maputo têm 2ª maior a taxa
de prevalência do VIH/SIDA entre adultos (15-49 anos), cerca de
20,7 %, apenas ultrapassada pela província de Sofala. Das
rondas epidemiológicas de 2001, 2002 e 2004, verifica-se uma
tendência crescente das taxas ponderadas de prevalência
do VIH, nomeadamente nas regiões Sul e Norte.
Em
Moçambique, o conceito de órfão inclui crianças
entre os 0-18 anos, que tenhas perdido um ou os dois pais. A
distinção entre órfão de VIH/SIDA e
outros não é realizada, mas a maior parte é
afectada pela doença. Nas crianças afectadas pelo
VIH/SIDA incluem as que cuidam dos pais/encarregados de educação
doentes, as crianças rejeitadas devido ao estigma, as crianças
chefes de famílias, as crianças vivendo com o VIH/SIDA,
as crianças vivendo em famílias chefiadas por idosos,
as crianças vivendo em comunidades com elevados índices
de seroprevalência e as que são órfãos de
um ou ambos os país.
Segundo
as estatísticas do INE Moçambique estima-se que, em
2005, cerca de 1,6 milhões de crianças [0-17] sejam
órfãs, sendo 733.137 devido ao SIDA. Projecta-se que em
2005, o número de órfãos paternos devido ao
VIH/SIDA seja de 257.420 e o de órfãos
maternos de 272.051. Pensa-se ainda que o número de crianças
duplamente órfãs, igualmente devido ao SIDA é
actualmente de 203.666 no mesmo período.
O
número de órfãos
maternos devido ao VIH/SIDA irá continuar a aumentar
substancialmente, alcançando 520 mil até ao ano 2010,
ou seja, 50% de todos os órfãos maternos projectados
para esse ano. Dos 357.911 órfãos de ambos os pais em
2005, estima-se que mais de metade, ou cerca de 203.666, sejam
devidos ao VIH/SIDA. Em 2010, crê-se que o número destes
órfãos chegará a 75% de todos os órfãos
de pai e mãe projectados para esse ano.
2.
Impacto da epidemia em Moçambique
As
crianças são o grupo populacional mais afectado directa
e indirectamente pela epidemia, o que contribui para a redução
das suas hipóteses de sobrevivência e oportunidades de
futuro. O impacto da epidemia faz-se sentir a diversos níveis,
destacando-se neste âmbito o nível individual, familiar
e comunitário.
2.1.1
Impacto da desestruturação familiar e na capacidade da
rede social de apoio
O
impacto do VIH/SIDA na família depende do tamanho do agregado
familiar, da idade dos dependentes e do número de pessoas
sofrendo com SIDA. A morte que resulta do SIDA ou outra doença
desintegra a estrutura familiar e isso poderá ter profundas
implicações na distribuição dos recursos,
rendimentos, consumo, poupança, assim como no bem-estar dos
sobreviventes.
Este
fenómeno agrava o nível de pobreza da família e
a pressão sobre as crianças do agregado. A rede social
de apoio, ao nível familiar e comunitária, nomeadamente
avós e familiares próximos, tem agora capacidade
limitada para absorver estes órfãos. As crianças
são obrigadas a assumir responsabilidade muito cedo:
responsabilidades pelos cuidados dos seus pais doentes, no sustento
do agregado familiar ou mesmo tornarem-se chefes da família
com a morte de ambos os pais. A menor capacidade de protecção
do agregado implica o incremento da vulnerabilidade, da exploração
e dos abusos.
2.1.2
Impacto ao nível do empobrecimento do agregado familiar
Os
agregados familiares pobres tendem a ter mais membros e dependentes,
e em particular crianças; isto significa que estes agregados
têm um número reduzido de adultos, que devem trabalhar
para sustentar um número elevado de dependentes, levando a que
os níveis de consumo per capita sejam baixos, e
consequentemente a maiores índices de pobreza. Por outro lado,
as crianças exigem cuidados especiais, que requerem
disponibilidade temporal significativa, reduzindo assim o tempo
disponível, particularmente das mulheres, para as actividades
produtivas.
O
aumento das despesas médicas, a diminuição do
rendimento resultante do absentismo e desemprego, as despesas
fúnebres no caso de falecimento, reduzem os rendimentos
disponíveis e a capacidade de poupança.
Dado
que a deterioração do estado de saúde devido ao
SIDA é bastante lenta, muitas famílias esgotam todas as
suas poupanças antes de o doente morrer. Pior ainda, as
famílias perdem rendimentos, não apenas devido aos
custos da assistência médica à pessoa infectada,
mas também porque os membros da família não
podem ir trabalhar para ficarem a cuidar do doente. Esta perda é
ainda maior em famílias que têm mais do que uma pessoa
doente.
Finalmente,
além da redução do rendimento do agregado
familiar, os sobreviventes, tratando-se da mulher e filhos, poderão
perder o acesso às suas terras, casa, machambas e outros bens,
devido à expropriação pela família do
marido falecido. Isto irá agravar a sua condição
de sobrevivência, e poderá resultar no agravamento da
vulnerabilidade da mulher e das crianças.
2.2
Impacto da Epidemia na Comunidade
O
impacto na comunidade tem sido sentido de diferentes formas, tais
como: perda de emprego; perda de pessoal qualificado, incluindo
trabalhadores de saúde e professores, com o consequente
impacto na qualidade de serviços prestados nas áreas
respectivas; aumento da pobreza; aumento das necessidades, em termos
de cuidados de saúde, e outros serviços sociais,
incluindo escolas; aumento do número de óbitos;
ultrapassadas as capacidades de mobilizar recursos para ajuda mútua.
2.3
Impacto da Epidemia nos órfãos e crianças
vulneráveis (COV)
2.3.1
No acesso à educação
As
crianças afectadas e infectadas deixam muitas vezes de
estudar, para cuidar dos irmãos mais novos, ou serem
envolvidas noutras actividades produtivas. Os órfãos de
ambos os pais têm ainda menos probabilidade de aceder a
educação. No caso de Moçambique, os órfãos
de pai e mãe têm metade das hipótese de ir a
escola do que as crianças com pais (UNICEF, 2003). O facto de
os órfãos viverem com parentes afastadas também
contribuiu para diminuir as preocupações com a sua
educação.
O
próprio sistema de ensino tem sido fortemente afectado pela
epidemia, contribuindo para a perda de capital intelectual,
diminuindo o número de professores disponíveis e
aumentado a dimensão médias das turmas com as
consequentes perdas de qualidade de ensino.
2.3.2
Na nutrição e saúde:
Os
órfãos são também mais vulneráveis
a alimentação deficiente e mal nutrição,
do que outras crianças, facto comprovado por vários
estudos. A taxa de mal nutrição crónica
registada entre este grupo foi 50% mais elevada do que no restante da
população nos distritos. (PNA COV 2005, p. 6). O risco
destas crianças nunca atingirem o pleno desenvolvimento da sua
capacidade física e intelectual é muito mais elevado
(UNICEF, 2003).
No
caso dos órfãos infectados a situação de
saúde é ainda mais preocupante. O acesso ao tratamento
Anti-Retroviral é ainda reduzido, mesmo para prevenir a
transmissão vertical mãe-filho. Para as crianças
vivendo com VIH/SIDA há um maior desafio da falta de
formulação pediátrica (RAAAP, 2004).
2.3.3
Impacto Psicológico:
As
crianças órfãs sofrem diversos processos com
consequências traumáticas. No caso de órfão
do VIH/SIDA a situação é mais grave, pois tem
que assistir a doença e morte dos pais, de ficarem sem laços
familiares e sem bens materiais ou habitação.
As
crianças que perderam os seus pais para o VIH/SIDA ou que têm
os pais doentes são alvo de estigma e discriminação.
Podem ser rejeitados pelos seus amigos e familiares e até
pelos Centros de Saúde. As fontes de stress podem ser
múltiplas e tem um papel determinante no comportamento e
futuro das crianças.
2.3.4
Nas perspectivas de futuro
O
nível de registos de nascimento entre as crianças mais
vulneráveis é relativamente reduzido. Sem eles não
é possível a emissão de certidão de
pobreza, que isenta as crianças do pagamento de propinas e
dão-lhe acesso aos serviços essenciais. A burocracia e
as longas distâncias são outro impedimento a sua
emissão. O acesso aos apoios sociais é mais um factor
que restringe o acesso dos COV a educação e saúde.
A
África Sub-Sahariana é uma das regiões do mundo
com maior taxa de trabalho infantil do mundo. Embora nem sempre
exista evidência clara de diferente entre órfãos
e não-orfãos em termos de trabalho infantil, um
levantamento da OIT na Tanzânia demonstrou que as crianças
órfãos têm maior probabilidade de trabalhar na
agricultura, serviços domésticos, sexo comercial e
vendedores de rua (UNICEF, 2003).
2.3.5
Meninos da/na rua
Neste
grupo particularmente as meninas, são vulneráveis à
infecção, pelo facto de não terem nenhuma fonte
de rendimento para o seu sustento e acabam se envolvendo na
prostituição infantil. As raparigas são violadas
sexualmente por homens adultos ou por outros meninos da/na rua quando
acabam de fazer parte no grupo, num processo que eles denominam de
“baptismo”. O número de crianças vivendo na
rua também aumentou. Em Moçambique, embora não
existam dados exactos, estima-se que em 2004 na Cidade Maputo hajam
cerca de 350 de rua.
2.3.6
As determinantes de género no impacto da epidemia
As
mulheres e as raparigas tem maior probabilidade de serem mais pobres
e terem menos educação que os homens, e de serem
financeira e socialmente dependentes deles. Este desequilíbrio
entre géneros diminui as possibilidades negociais das mulheres
e raparigas em termos de sexo e sexo seguro (UNICEF, 2004a).
Paralelamente, a pobreza impede as mulheres de receberem cuidados de
saúde e educação adequados – dois
elementos essenciais para a prevenção do VIH/SIDA.
As
raparigas são mais afectadas, sendo que este fenómeno
tem contribuído fortemente para o agravamento das
desigualdades de género. A pressão para contribuir para
o rendimento familiar afasta primeiro as raparigas da escola;
obriga-as a restringirem-se as tarefas domésticas e ao cuidado
dos doentes; ao trabalho infantil ou de subsistência; ao
casamento precoce, na expectativa do dote (lobolo). Paralelamente,
facilita as situações de exploração,
nomeadamente o abuso, tráfico e exploração
sexual.
Em
suma, a alimentação, o vestuário e a habitação,
estigma, discriminação, falta de apoio psicossocial,
ausência de pessoas modelo, abuso nas famílias adoptivas
e vizinhos, recusa ao acesso aos serviços básicos
apesar das boas políticas e leis tais como a admissão à
escola, registo de nascimentos, serviços de saúde são
algumas das principais áreas de preocupação (PNA
COV, p. 7). Estas requerem uma intervenção directa por
parte das instituições governamentais e seus parceiros
com vista a reforçarem a capacidade das famílias e
comunidades com vista a cuidar e proteger as crianças
vulneráveis e órfãs afectadas pelo VIH/SIDA.
A
resposta Nacional: principais desafios
A
resposta do Governo ao fenómeno das órfãs e
crianças vulneráveis tem privilegiado o apoio aos
esforços da comunidade e encorajar a reintegração
familiar, ao invés da institucionalização.
Ao
nível comunitário, como acima referido, a capacidade é
limitado. O acesso aos serviços básicos não está
uniformemente disponível para todas as COV em todas as
províncias. Apesar das medidas tomadas pelo governo, as
Organizações não governamentais (ONG) e
Organizações de Base Comunitária (OCB) tem
informação insuficiente sobre os mecanismos legais
existentes e não foram criados mecanismos de coordenação
nos níveis provincial e distrital, apesar da existência
de redes comunitárias. (RAAAP, 2004, p.7)
A
institucionalização depende, em grande medida, da
comunidade e dos organizações da sociedade civil,
desempenhando o Ministério da Mulher e Acção
Social (MMAS) um papel essencialmente de coordenação,
supervisão e formação dos educadore/as. As
instituições que acolhem COV são os designados
Centros de Acolhimento, com as seguintes tipologias:
Centros Abertos: Nestes
centros as crianças acedem a actividades lúdicas e
educativas, e nalguns dos centros apoio alimentar e material.
Problema: não existem critérios rígidos de
ingresso e saída do centro, crianças misturadas não
permite atendimento dirigido as diferentes categorias de crianças;
Centros Fechados: Nestes
as crianças ficam internadas, recebendo actividades de
reabilitação e educação. Apoio
alimentar, material e moral. Problema: ausência de um
regulamento interno escrito na maioria deles, capaz e reger o
quotidiano das crianças;
Centros
Fechados-Abertos: As crianças podem residir ou não
nestes centros, beneficiar ou não de actividades
lúdicas/educativas, às vezes têm direito a uma
refeição e os não residentes regressam a sua
casa para dormir.
Centro de Dia ou
Atendimento Baseado na Comunidade: as instituições de
tutela apoiam as crianças em situação difícil
directamente no seu meio social, mediante apoio financeiro às
famílias com crianças em condições de
vulnerabilidade, apoio em alimentos/material escolar, reabilitação
nutricional e transmissão de técnicas apropriadas de
preparação de alimentos para crianças com
problemas nutricionais.
A
resposta nacional tem como orientação estratégica
os compromissos e metas internacionais subscritas pelo Governo de
Moçambique, e pauta-se também pelas prioridades
definidas a nível nacional pelo Plano Estratégico
Nacional de Combate ao VIH/SIDA, pelo Programa do Governo (2005-2009)
e estratégias sectoriais correspondentes das quais a Política
Nacional da Acção Social. (PNA COV, p. 7) Mais
concretamente:
Identifica
como área prioritária de intervenção a
expansão de programas de apoio social a Crianças Órfãs
e Vulneráveis.
Na
área da acção social, entre as acções
prioritárias, destaca-se a adopção do Plano
Nacional para a Criança, bem como a integração
familiar das crianças órfãs e vivendo com o
VIH/SIDA.
Esta
política, aprovada em Abril 1998, tem como objectivo a
“promoção da integração dos grupos
sociais situados à margem do processo normal de
desenvolvimento de modo a contribuir para uma plena igualdade de
oportunidades entre os cidadãos, assim como para a
estabilidade social.”
Criado
em 2001, para a coordenação da resposta na área
das COV e VIH/SIDA, facilitando a implementação
de actividades pelos diversos parceiros e partilhando boas praticas.
Este
plano em fase de aprovação pelo MMAS em 2005, tinha
como objectivo traçar em primeiro lugar, as linhas
orientadoras da acção governamental e de criar
mecanismos institucionais que facilitem a coordenação
de actividades em prol das crianças.
Mais
recentemente, em consequência do Fórum Global de
Parceiros de COV, realizado em Genebra, Outubro de 2003, que definiu
um reforço da colaboração para a aceleração
da resposta de COV nos países da África Sub-Sahariana,
foi realizado um Processo de Avaliação Rápida,
Análise e Plano de Acção (RAAAP), cujas
recomendações permitiram definir o:
Elaborado
em 2005, como um conjunto de acções urgentes para
acelerar a resposta às COV, tanto ao nível nacional
como comunitário. Destinado a atingir crianças, que se
encontrem abaixo do nível da pobreza, numa das seguintes
categorias: Órfãos (maternos, paternos e de ambos os
pais); Crianças infectadas e afectadas pelo VIH/SIDA,
incluindo: Crianças que vivem em agregados familiares
chefiados por crianças, mulheres ou idosos; Crianças
que vivem em agregados familiares onde um adulto se encontra
cronicamente doente.
As
áreas estratégicas de intervenção deste
plano articulam-se em torno de quatro objectivos chave:
Criar um ambiente de
protecção e conducente à redução
do impacto do VIH/SIDA sobre crianças órfãs e
vulneráveis;
Reforçar
a capacidade institucional do MMAS, MISAU, MEC
e outros parceiros principais a todos os níveis;
Reforçar as
capacidades das famílias e comunidades de procurar soluções
locais para proteger e cuidar as crianças órfãs
e outras crianças tornadas vulneráveis pelo VIH/SIDA;
Estabelecer e reforçar
os sistemas de recolha, análise e monitoria e avaliação
de dados. (PNA COV, 2005, p. 10)
A
maior parte do apoio que o governo recebeu foi através de
financiamento dos doadores externos e apoio das agências de
cooperação bilateral e multilateral, Banco Mundial e
Fundo Global. O Plano de Acção para as COV tem um
orçamento estimado de total para 2 anos de 24.450.000,00
dólares, sendo a maior parte destinada a promoção
do primeiro objectivo.
O
número de ONG e OCB que desenvolvem projecto na área
dos COV tem sofrido um incremento ao longo dos anos. Contudo, as
actividades direccionadas para este grupo são muitas vezes
pontuais, integradas em projectos de maior dimensão ou
demasiado micro e sem impacto duradouro. Em qualquer dos casos, a
maior parte deles encontram-se no sul e centro do país. Por
seu turno, as Organizações Baseadas na Fé têm
reagido ao problema dos COV principalmente como respostas a situações
de guerra e de desastres naturais, não fazendo distinção
entre crianças órfãs e outras crianças
vulneráveis.
Portanto,
embora haja um aumento da resposta à situação de
crianças órfãs e vulneráveis, ela tem
sido fraca e não tem sido bem coordenada. Isto deve-se à
escassez de recursos financeiros e humanos no governo e nas ONG.
(RAAAP, 2004, p. 7/8)
3.1
Análise da capacidade de resposta nacional às
necessidades em termos de mudança de comportamento
A
definição da resposta nacional ao crescente problema
dos COV deve ser, necessariamente, conduzida e orientada pelos
organismos políticos nacionais, enquanto parte da sua
estratégia de desenvolvimento e redução do
impacto da epidemia. O papel dos restantes actores institucionais e
da sociedade civil deve ser enquadrado e direccionado por essa
estratégia.
Contudo,
da análise da política proposta depreende-se que esta
responde, em primeira instância, às necessidades de
reforço da capacidade institucional, da coordenação
e monitoria das instituições que a promovem; em segunda
instância, as necessidades de acção imediata na
mitigação das consequências e satisfação
das necessidades básicas das crianças afectadas; e, em
menor escala ou pelo menos de forma menos assumida, a necessidade de
prevenir a reprodução dos comportamentos de risco para
a infecção, numa população com níveis
de vulnerabilidade muito mais significativos.
Efectivamente,
na estratégia de Criação de um Ambiente de
protecção e conducente à redução
do impacto do VIH/SIDA nos COV, aparentemente apenas dois pontos
podem ser directamente relacionados com esta preocupação,
nomeadamente:
Em parceria com o
MISAU, estabelecer mais centros de saúde direccionados aos
jovens para Testagem Voluntária e Acompanhamento, DST;
Apoiar a implementação
de programas que promovam as Habilidades para a Vida entre os
jovens; (RAAAP, 2004, p. 32)
O
primeiro estará relacionado com o reforço ou
redefinição de um programa financiado pelo FNUAP,
designado como Serviço Amigo do Adolescente e Jovem (SAAJ),
serviço de aconselhamento e testagem voluntária e
planeamento familiar direccionado para adolescentes e jovens, e cujos
resultados efectivos ainda são difíceis de avaliar. NA
verdade, no terreno este programa para pouco mais contribuiu do que
para a construção de infra-estrutura.
O
segundo remete para um conceito importante, as habilidades para a
vida, não definindo concretamente como estas habilidades serão
promovidas e, sobretudo, se serão adequadas às
necessidades concretas e ao contexto da adolescência e
juventude moçambicana.
Deste
modo, podemos considerar que as políticas têm encarado
de forma pouco concreta o desafio da promoção da
mudança de comportamento neste grupo particularmente
vulnerável.
O
impacto da epidemia das crianças e órfãos, como
acima referido, requer especial atenção para as medidas
de prevenção e de promoção de
comportamento adequados, que devem ser induzidos desde cedo,
aproveitando sobretudo o período designado como “janela
de esperança” (10-15 anos), sendo que deverá
assumir como componente importante a definição de uma
estratégia de prevenção adaptada a este grupo
extremamente vulnerável que é os COV.
Para
definição de políticas e medidas concretas,
importa perceber as razões determinantes dos comportamentos,
atitudes e práticas, sobretudo nesta camada populacional. É
isso que procuraremos faber no ponto seguinte.
4. A
reprodução do problema: Conhecimentos, atitudes e
práticas dos adolescentes e jovens em relação ao
VIH/SIDA
A
consequência imediata do impacto do VIH/SIDA nas COV é o
aumento da vulnerabilidade das futuras gerações,
contribuindo assim para a reprodução ou agravamento da
epidemia.
Para
projectar qualquer cenário negativo ou positivo, e determinar
a orientação das políticas e projectos, é
essencial conhecer os comportamentos e compreender as causas que os
determinam.
4.1
Tendências nos comportamentos e práticas sobre VIH/SIDA
entre adolescentes e jovens
Os
dados disponíveis acerca dos conhecimentos, atitudes e
práticas dos adolescentes e jovens em Moçambique são
ainda reduzidos e pouco actualizados. NO entanto, a produção
de estudos a nível nacional e local têm sofrido um
incremento nos últimos anos.
Entre
os estudos de referência a nível nacional destaca-se o
Inquérito Demográfico e de Saúde 2003 (IDS) e o
Inquérito Nacional sobre Saúde Reprodutiva e
Comportamento dos Jovens e Adolescentes 2001 (INJAD).
De
acordo com o IDS, a idade mediana na primeira relação
sexual nas mulheres é de 16,1 anos, e nos homens é de
17,7 anos. De realçar nos dados apresentados que a
escolaridade desempenha um papel no adiamento do inicio das relações
sexuais nas mulheres, mas não nos homens. A nível
nacional, são as províncias mais isoladas que
demonstram um início mais precoce da actividade sexual, como
também se denota com a ruralidade especialmente no caso das
mulheres (15,8 no caso de meio rural contra 16,6 em meio urbano).
No
que se refere a conhecimentos sobre os acerca do VIH/SIDA,
verifica-se que existe um conhecimento generalizado acerca do termo
“VIH/SIDA”, mas quando se procura perceber qual o grau de
conhecimento, denota que as zonas rurais estão menos
informação (55,4% em meio rural contra 78,4% em meio
urbano). As mulheres têm menos informação que os
homens (63,8% no caso das mulheres contra 77,1% no caso dos homens),
e a medida que aumenta o nível de escolaridade aumentam os
conhecimentos acerca dos métodos de prevenção.
A
educação sexual e reprodutiva, e a atitude da
comunidade e dos jovens em relação ao início da
actividade sexual, são determinantes para a redução
das taxas de prevalência. O INJAD aponta que a grande maioria
dos jovens é favorável a educação sexual
(65,4% das raparigas e 70,8% dos rapazes). As raparigas consideram
mais importante receber a educação sexual em casa
(33,6%), e os rapazes na escola (39,8%). O nível de
escolaridade indicado por ambos os sexos como ideal para ministrar a
educação sexual seria o Ensino Primário (EP1 e
EP2).
O
preservativo é um meio de prevenção da gravidez
e das ITS amplamente conhecido entre os entrevistados, considerado
por cerca de 90% dos jovens de ambos os sexos. Contudo, quando chega
ao momento de decidir o uso de um método contraceptivo, 31,1%
das raparigas e 50,8% dos rapazes consideram que a decisão
cabe ao homem. Se atendermos a taxa de utilização do
preservativo na primeira relação sexual verificamos que
é generalizadamente baixa. Mais de 90% dos rapazes e das
raparigas referem que não usaram.
O
argumento mais utilizado para justificar este comportamento é
o desconhecimento, mas é importante analisar as respostas de
cada um dos sexos. Enquanto no feminino, cerca de 45% das respostas
remete para esse facto, logo seguido pelo facto de “não
se preocupou”, no caso masculino, o segundo factor mais
frequente está associado ao facto de não esperar ter
relações.
No
que respeita a idade ideal para iniciar a actividade sexual, as
raparigas consideram que, no caso delas será entre os 15-17 ou
com mais de 18 anos. A opinião que deveria ser depois do
casamento apenas mobiliza 19,5% das raparigas inquiridas.
Efectivamente,
o conhecimento acerca do vírus, formas de transmissão e
prevenção não é generalizado e,
sobretudo, não é efectivo. Isto denota-se facilmente
quando analisamos os comportamentos e atitudes. Embora uma grande
maioria dos jovens reconheça o preservativo como forma de
prevenção, não o estão a utilizar
efectivamente.
Como
verificamos pelo nível de utilização na primeira
relação, os jovens enumeram o mecanismo mas não
estão suficientemente familiarizados para o utilizar e não
o encarado sequer como necessário. Isto é
particularmente grave no caso das raparigas que tem frequentemente a
primeira relação com rapazes mais velhos e que já
tiveram experiências sexuais anteriores e que mantêm
relações com várias parceiras.
Recentemente
o relatório preliminar do Estudo CAP realizado por uma ONG
portuguesa em Moçambique, na província de Maputo,
avança dados complementares para perceber a relação
paradoxal entre conhecimento e comportamento. O estudo debruça-se
sobre 3 grupos etários distintos: adolescente (12-14 anos),
jovens (15-24) e adultos (> 25 anos), destacando-se para a
presente análise o inquérito junto dos adolescentes.
Um
resultado particularmente importante é o que se refere à
percepção do risco de contrair o VIH/SIDA. Numa escala
de risco, que incluía como percepções correctas:
Pouco, Moderado e Alto, a maioria dos adolescentes responderam
Nenhum/Nunca pensou (56%) ou Não Sabe (16%). Comparando esta
resposta com a dos adultos, país e encarregados de educação,
os resultados são semelhante, com cerca de a responder
Nenhum/Não sabe (31,8%) e Pouco (54,7%).
A
percepção do risco poderá ser o factor
determinante para explicar a discrepância entre conhecimento e
atitude. A noção do risco, como aponta o mesmo
relatório, é menor no caso do sexo feminino do que no
masculino.
Neste
contexto é importante repensar as estratégias
utilizadas para a prevenção do VIH/SIDA junto dos
adolescentes e jovens. A interpretação dos
comportamentos, de acordo com o contexto social, cultural e económico
é determinante nesse processo. A reavaliação dos
factores que induzem a mudança de comportamento,
particularmente no contexto dos COV, sujeitos a factores de
vulnerabilidade individuais e sociais elevados, é fundamental
para a definição de uma política que evitem a
reprodução dos comportamentos de risco.
5.
A mudança de comportamento em população
vulneráveis como os COV
5.1 As
principais teorias da mudança de comportamento
As
teorias de procuram explicar a mudança de comportamento são
diversificadas e têm sido aplicadas em diversas disciplinas.
Nesta se incluem a teoria da mudança de comportamento por
fases [Prochaska e DiClemente (1986); Prochaska et al. (1992); Sallis
e Nader (1988); Rogers (1983); Owen e Lee (1984), entre outros]; as
teorias social-cognitivas [Bandura (1986), Oldenburg (1999), entre
outros] e um conjunto alargado de teorias alternativas.
As
teorias que têm sido maioritariamente utilizadas para
fundamentar os programas de prevenção do VIH/SIDA
incluem o Health Belief Model, o Modelo de Redução de
Risco de SIDA (AIDS Risk Reduction Model), As Teorias de Mudança
de Comportamento por Fases e a Teoria da Acção Racional
(Theory of Reasoned Action). Para além destas, cresce
significativamente a abordagem do Marketing Social, como instrumento
de apoio e enquadramento da mudança de comportamento.
Todas
as teorias apresentadas têm elementos em comum e, em 1991, foi
desenvolvido um workshop de teóricos para os
identificar. Foram definidos 8 elementos chave que determinam o
comportamento e para a sua mudança:
A
intenção de comportamento do individuo;
Influência
externa de factores sociais;
Competências
e habilidades;
Atitude
ou a antecipação dos resultados de um determinado
comportamento;
Normas
e valores;
Padrões
individuais;
Reacções
emocionais;
Self-Efficacy.
Os
primeiros 3 factores são considerados como necessários
e suficientes para o comportamento. Os restantes factores são
considerados como os que podem influenciar activamente a direcção
e intensidade da intenção de comportamento, ou seja, os
que influenciam a mudança de comportamento.
Um
dos factores determinantes do comportamento são as
competências e habilidades, factor cuja promoção
foi incluída nas prioridades politicas acima apontadas. As
habilidades para a vida são consideradas como destrezas
psicossociais para enfrentar as desafios e exigências da vida,
e a sua promoção deve agir sobre os seguintes
habilidades: comunicação efectiva, relações
interpessoais, tomada de decisões, soluções para
problemas e conflitos; pensamento criativo, pensamento crítico,
lidar com sentimentos, lidar com tensões.
5.2
Influência do contexto na mudança de comportamento
Desde
modo está definido o enquadramento conceptual utilizado na
formulação das políticas, programas e projectos
de prevenção do VIH/SIDA. Neste ponto é
essencial analisar até que ponto é que os modelos podem
ser utilizados, ou seja, no contexto de elevado vulnerabilidade dos
COV moçambicanas qual a possibilidade de atingir uma mudança
de comportamento efectiva.
Para
qualquer uma das teorias é essencial ponderar o contexto. As
condições socio-económicas de Moçambique
são extremamente deficiente, onerada penosamente pelo impacto
do VIH/SIDA acima referido. As COV dificilmente terão acesso a
suficiente alimentação, habitação,
educação, saúde e apoio emocional. O pilar
fundamental da sua garantia, a família e a comunidade, estão
empobrecidas e desmoralizadas.
A
criação de habilidades para a vida, neste contexto, é
uma tarefa ainda mais complexa concorrendo com a formação
inata de habilidades de sobrevivência, que impelem as crianças
para situações de exploração laboral ou
sexual, furto e vida de rua. A situação agrava-se na
medida em que a manutenção da ordem e segurança
públicas transforma Às crianças em marginais,
reforçando o ciclo vicioso de exclusão e
vulnerabilidade.
Consideramos
agora os factores que, no contexto actual, dificilmente poderão
induzir a mudança de comportamento. Em primeiro lugar: a
pessoa tem de acreditar que existem mais vantagens do que
desvantagens num determinado comportamento (ponto d.).
Numa
lógica de sobrevivência, o balanço positivo entre
investimentos no presente e benéficos futuros raramente se
aplica. No caso da prevenção do VIH/SIDA é um
factor determinante. A particularidade da doença, cujos
efeitos negativos só serão sentidos anos depois da
infecção diminui os argumentos para justificar a
abstenção de comportamentos presentes em prol de
benefícios futuros.
Em
segundo lugar, a pressão social (moral e valores) para
determinado comportamento é maior do que para outro (ponto
e.). Este facto é essencial para compreender o relativo
insucesso dos programas de prevenção em Moçambique.
Efectivamente não se verificou nenhuma mudança
significativamente profunda ao nível normativo na sociedade
para pressionar essa mudança de comportamento. As práticas
e costumes ancestrais, os mitos e rituais continuam inalterados e
imunes a sua responsabilidade na disseminação da
epidemia.
Os
rituais de iniciação, os rituais curativos
tradicionais, o casamento precoce das raparigas, associado ao
“lobolo”, as relações extraconjugais e
inclusive a poligamia, a “sexta-feira do homem” e outras
práticas sociais antigas ou recentes pesam para a perpetuação
dos comportamentos. O seu contributo para a multiplicação
dos parceiros sexuais é agravado pela relação de
poder e subjugação da mulher ao homem.
Por
outro lado, é ainda comum a criação de
estereotipas do “infectado”, associando o VIH/SIDA a
determinados comportamentos moralmente reprováveis ou camada
populacional (prostituição, falta de escolaridade,
pobreza, etc.) pode ser um factor determinante para a formação
da concepção de risco de infecção, que
como verificamos em cima é geralmente considerada baixa, e
indirectamente conduzindo a adopção de menores níveis
de prevenção.
Estes
dois pontos estão também intimamente relacionados com o
terceiro factor, o facto da pessoa considerar que determinado
comportamento é mais consistente com a sua
auto-imagem/representação ou que não viole os
seus padrões pessoais (ponto f.). Isso dificilmente
acontecerá se não houver uma pressão social e
uma mudança de padrões de comportamento socialmente
aceites.
O
marketing social é um mecanismo cada vez mais utilizado para
induzir a mudança de comportamento. No contexto moçambicano
a sua utilização tem crescido impulsionado pela acção
de ONG internacionais. Deste esforço, destaca-se a bem
conhecida marca de preservativos “Jeito”. Os estudos
revelam que existe um conhecimento generalizado de como utilizar e
onde adquirir entre os adolescentes e jovens.
No
entanto, é necessário analisar este esforço a
luz do contexto socio-económico moçambicano e,
principalmente, para o caso dos COV. Os indivíduos e as
famílias tem elevadas restrições orçamentais
e, em grande parte do país, dificuldades para garantir a
sobrevivência diária. Assim sendo, dificilmente poderão
reservar dinheiro para adquiri preservativos, que não
constituem um bem de primeira necessidade.
Paralelamente,
não existe ainda uma rede de distribuição e
comercialização suficiente abrangente e significativa
para garantir as necessidades da população, tarefa
dificultada pelo isolamento e pela deficiente rede de vias de
comunicação.
5.
Conclusões
O
impacto do VIH/SIDA é transversal a toda a sociedade
moçambicana e, em especialmente grave no caso dos órfãos
e crianças vulneráveis. Neste grupo contribui
efectivamente para o agravamento da vulnerabilidade e redução
das oportunidades desta nova geração de cidadãos.
Os
conhecimentos e comportamentos individuais e sociais são
determinantes para a propagação da epidemia e,
consequentemente, para a sua prevenção e subversão
da actual tendência de agravamento.
Contudo,
a resposta nacional aos COV, quer institucional quer da sociedade
civil e das organizações internacionais, parece não
reconhecer a importância significativa da prevenção
neste grupo, para a mobilização dos recursos
disponíveis. Este facto pode conduzir a um processo de
reprodução e, inclusive, agravamento dos comportamentos
de risco, num contexto de elevada vulnerabilidade.
Recomenda-se
uma acção mais energética e a inclusão de
programas fortemente direccionada para a prevenção nos
planos nacionais de apoio aos COV. Neste contexto, as teorias de
mudança de comportamento e os exemplos de políticas
semelhante poderão ter um papel útil no
redireccionamento da actual política.
O
processo de mudança deve ser facilitado e os actores
institucionais têm um papel determinante em ajudar as pessoas a
fazerem a escolha correcta e tornando-a na escolha mais fácil.
Para ajudar as pessoas a fazerem escolhas responsáveis é
necessário proporcionar-lhes educação,
capacidades e informação de forma consistente.
O
processo de mudança deve ser encorajado e, em alguns casos,
promovida activamente, através de medidas e políticas
estruturais.
O
processo de mudança deve envolver as pessoas, atendendo a uma
abordagem bottom-up. A motivação
para as pessoas se envolverem pode partir do reforço do
marketing social, mas sobretudo com medida de desenvolvimento
integrado. As iniciativas das diversas entidades devem ser mais
integradas, assim como reforçado a coordenação
efectiva entre organismo públicos. Devem ser privilegiadas
iniciativas de longo prazo, que envolvam todos os interlocutores e
que se traduzam em acção concretas e sustentadas.
O
processo de mudança deve ser liderado pelo governo e organismo
públicos. O governo é o organismo com a capacidade de
congregar e mobilizar todos os sectores de influência da
sociedade para tomarem a liderança do processo de mudança.
O papel da comunidade não deve ser desprezado mais dadas as
condições actuais as suas hipóteses de actuação
não devem ser sobreavaliadas.
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