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4º Congresso - Comunicação - Tema: Clínica e Tratamento (Clinical Science and Care)
 Evolução dos Esquemas Terapêuticos Anti-Retrovíricos nos Hospitais da Universidade de Coimbra entre 1996 e Agosto de 2003
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Autor(es) :  Campelo, Isabel
Co-autor(es) :  Lebre, A.C; Proença, M.M.; Santos, R.C.; Isabel, O.
Palavras-chave:
Anti-retrovíricos; Esquemas terapêuticos.
Resumo:
Introdução: Desde 1983, ano em que foi registado o primeiro caso de VIH/SIDA em Portugal, já foram notificados cerca de 20.526 casos e registadas 5.815 mortes.
Nas últimas décadas, foram dados largos passos no conhecimento da patogénese do VIH1. Assim, a compreensão da invasão, proliferação, ligação e entrada nas células pelo vírus da imunodeficiência, bem como a resposta imunitária induzida, conduziram às novas abordagens terapêuticas disponíveis actualmente no mercado nacional.
A acessibilidade desta terapêutica anti-retrovírica por parte dos seropositivos, é assegurada pelos Sectores Ambulatório dos Serviços Farmacêuticos dos hospitais, que disponham de consultas de imunodeficiência, onde são prestados cuidados farmacêuticos adequados às múltiplas necessidades individuais.

Objectivo: Pretende dar-se a conhecer a análise estatística, qualitativa e quantitativa do universo de doentes seguidos no Serviço de Doenças Infecto-Contagiosas dos Hospitais da Universidade de Coimbra, assim como a evolução dos respectivos esquemas terapêuticos instituídos entre 1996 e Agosto de 2003.

Métodos: Os dados foram obtidos através de registo informático da terapêutica prescrita e cedida a cada doente, actualizado pelo Sector Ambulatório dos Serviços Farmacêuticos dos H.U.C.

Resultados: Dos 611 doentes activos seguidos desde 1996 nos Serviços Farmacêuticos dos H.U.C., 73% são do sexo masculino e 27% do sexo feminino. A distribuição por área geográfica corresponde a cerca de 85% de doentes da região Centro, sendo os outros oriundos de Norte a Sul do país, incluindo as Regiões Autónomas. O escalão etário varia entre os 16 e os 80 anos, sendo o intervalo de idades predominante dos 30 aos 49 anos (68%). Neste período de tempo, faleceram 17 doentes (cerca de 3% dos doentes) e foram detectados 14 acidentes de trabalho (cerca de 2%). A instituição de primeiras terapêuticas no ano de 1996, começou com 1 ITRN ou 2 ITRN, passando gradualmente a 1 IP+2 ITRN ou 1 ITRNN+2 ITRN em 2003. Constatámos que ao longo do tempo as alterações terapêuticas individuais instituídas clinicamente, ascenderam a uma média de 8 alterações por doente. O custo médio de tratamento mensal por doente, variou de cerca € 241.20 em 1996 a cerca de € 810.00 em 2003.

Conclusões: As novas estratégias terapêuticas diminuem drasticamente a morbilidade e mortalidade associadas à infecção VIH. A terapêutica anti-retrovírica de combinação (HAART), considerada a pedra-angular das actuais abordagens terapêuticas, conduz necessariamente a uma melhoria da qualidade de vida destes doentes, assim como à redução do número de hospitalizações e aumento do número de anos de vida. Os farmacêuticos estão cada vez mais conscientes da importância das suas funções assistenciais, devendo adoptar atitudes e valores, que em articulação com os infecciologistas, possam proporcionar uma correcta e eficaz utilização dos medicamentos, contribuindo para uma melhor adesão à terapêutica, por parte destes doentes.


Evolução dos Esquemas Terapêuticos Anti-Retrovíricos nos Hospitais da Universidade de Coimbra entre 1996 e Agosto de 2003

Campelo, I.; Lebre, A.C.; Proença, M.M.; Santos, R.C.; Isabel, O.

Serviços Farmacêuticos dos Hospitais da Universidade de Coimbra

 

Introdução:  Desde 1983, ano em que foi registado o primeiro caso de VIH/SIDA em Portugal,  já foram notificados cerca de 20.526 casos e registadas 5.815 mortes.

Nas últimas décadas, foram dados largos passos no conhecimento da patogénese do VIH1. A melhor compreensão da invasão, proliferação, ligação e entrada nas células pelo vírus da imunodeficiência, bem como a compreensão da resposta imunitária induzida, conduziram às novas abordagens terapêuticas actualmente disponíveis no mercado nacional.

A acessibilidade desta terapêutica anti-retrovírica por parte dos doentes seropositivos, é assegurada pelo Sector Ambulatório dos Serviços Farmacêuticos (dos hospitais que disponham de consultas de imunodeficiência), onde são prestados cuidados farmacêuticos adequados às múltiplas necessidades individuais.

Objectivo: Pretende dar-se a conhecer aanálise estatística, qualitativa e quantitativa do universo de doentes seguidos no Serviço de Doenças Infecto-Contagiosas e Serviços Farmacêuticos dos Hospitais da Universidade de Coimbra (H.U.C.), assim como a evolução dos esquemas terapêuticos, instituídos entre 1996 e Agosto de 2003, e respectivo impacto económico.

Métodos: Análise individual e global do registo informático do perfil farmacoterapêutico e da cedência programada dos medicamentos aos doentes seropositivos.

Análise das actuais “Guidelines for the Use of Antiretroviral Agents in HIV-1-Infected Adults and Adolescents”.

 

Resultados:

 

1)      Universo de doentes

 Dos 1.029 doentes seguidos desde 1996 nos Serviços Farmacêuticos dos H.U.C. (611 activos), 73% são do sexo masculino e 27% do sexo feminino. O intervalo de idades varia entre os 16 e os 80 anos, sendo o escalão etário predominante o dos 30 aos 49 anos (68%).


Gráfico 1 – Distribuição dos doentes por sexo e faixa etária

 

Relativamente a estes doentes, foram registados 17 óbitos (cerca de 3% dos doentes) durante os períodos de internamento recorrentes e foram  identificados 14 acidentes de trabalho (cerca de 2%) aos quais foi efectuada a profilaxia respectiva.

 

2)      Distribuição Geográfica por Área de Residência

 Oitenta e cinco por cento dos doentes seguidos no Sector Ambulatório dos Serviços Farmacêuticos dos H.U.C. são da região Centro, sendo os restantes oriundos de Norte a Sul do país, incluindo as Regiões Autónomas.


Gráfico 2 – Distribuição dos doentes por área geográfica de residência

 

3) Evolução dos Esquemas Terapêuticos

A instituição de primeiras terapêuticas no ano de 1996, começou com 1 ITRN ou 2 ITRN, passando gradualmente a 1 IP+2 ITRN ou 1 ITRNN+2 ITRN em 2003.


Gráfico 3 – Evolução das primeiras prescrições entre 1996 e 2003

 

Constatámos que ao longo do período de tempo em estudo, as alterações terapêuticas individuais instituídas clinicamente, ascenderam a uma média de 8 alterações por doente. A grande maioria dos doentes que iniciou terapêutica com 2ITRN, passou a um esquema de 1 IP+2ITRN.


Gráfico 4 – Alterações Terapêuticas dos doentes que iniciaram tratamento com 2 ITRN
ITRN* - Pelo menos 1 ITRN diferente do anteriormente usado


Relativamente aos doentes cuja primeira alternativa terapêutica consistiu em 1ITRNN+2ITRN, as alterações constatadas foram as seguintes:

 


Gráfico 5 – Alterações Terapêuticas dos doentes que iniciaram tratamento com 1ITRNN+2ITRN
ITRNN* -  ITRNN diferente do anteriormente usado
ITRN* - Pelo menos 1 ITRN diferente do anteriormente usado

 

Relativamente aos doentes que iniciaram terapêutica com 1IP+2ITRN, as alterações foram as seguintes:


Gráfico 6 – Alterações Terapêuticas dos doentes que iniciaram tratamento com 1IP+2ITRN
ITRN* - Pelo menos 1 ITRN diferente do anteriormente usado
IP* - IP diferente do anteriormente usado

 

 

4) Encargos Financeiros

 A evolução do custo médio do tratamento mensal por doente, é apresentada no Quadro 1 e reflecte o aparecimento das novas abordagens terapêuticas, que corresponde a custos mais elevados.

1996

2003

€ 241.20

€ 810.00

 Quadro 1. Evolução do custo médio mensal de tratamento/doente

 

Discussão:

Segundo as “Guidelines for the Use of Antiretroviral Agents in HIV-1-Infected Adults and Adolescents” de Julho de 2003, os regimes anti-retrovíricos recomendados para tratamento da infecção VIH-1 em doentes naïve, devem ser individualizados, com base nas vantagens e desvantagens de cada associação (nomeadamente a quantidade de comprimidos, posologia e toxicidade), bem como as variáveis do doente (como sejam a gravidez e patologias associadas) e consistem em:

1– regimes baseados em Inibidores da Transcriptase Reversa Não-Nucleósidos (1ITRNN+2ITRN);

2 – regimes baseados em Inibidores da Protease (1IP+2ITRN);

3 – regimes baseados em 3 ITRN, como alternativa aos anteriores.

 

            As alternativas terapêuticas referidas nas Guidelines, em caso de falência virológica dos regimes terapêuticos recomendados, tendo como base os testes de resistência efectuados,  são:

            1 – Regime inicial 1ITRNN+2ITRN,  alterar para 1IP+2ITRN;

            2 – Regime inicial 1IP+2ITRN, alterar para 1ITRNN+2ITRN;

            3 – Regime inicial 3 nucleósidos, alterar para:

                                    - 1IP ou 1ITRNN+2ITRN;

                                    - 1IP+1ITRNN;

                                    - 1IP+1ITRNN+1ITRN.

 

Conclusão:

As novas estratégias terapêuticas diminuem drasticamente a morbilidade e mortalidade associadas à infecção VIH. A terapêutica anti-retrovírica de combinação (HAART), considerada a pedra-angular das actuais abordagens terapêuticas, conduz necessariamente a uma melhoria da qualidade de vida destes doentes, assim como à redução do número de hospitalizações e aumento do número de anos de vida.

 

Os farmacêuticos estão cada vez mais conscientes da importância das suas funções assistenciais, devendo adoptar atitudes e valores, que em articulação com os infecciologistas, possam proporcionar uma correcta e eficaz utilização dos medicamentos, contribuindo para uma melhor adesão à terapêutica, por parte destes doentes.

Glossário:

VIH – Vírus da Imunodeficiência Humana

SIDA – Síndroma da Imunodeficiência Humana

ITRN – Inibidor da Transcriptase Reversa Análogo Nucleósido

ITRNN – Inibidor da Transcriptase Reversa Análogo Não-Nucleósido

IP – Inibidor da Protease

 

Bibliografia

1.      Vários. Guidelines for the Use of Antiretroviral Agents in HIV-1-Infected Adult and Adolescents. Department of Health and Human Services. Julho 2003.

2.      Guardiola, JP; Soriano, V. Tratamiento de la Infección por VIH-SIDA – Fármacos y Combinaciones, 5ª Ed. Publicaciones Permanyer. 2002.



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